quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Maquiagem Verde: Produtos de Couro Animal X Meio Ambiente

Com a necessidade da preservação ambiental, muitas empresas aderiram ao marketing verde para melhorar sua atuação no mercado. Dessa oportunidade ou necessidade na área de marketing, certo número de empresas acordaram para a realidade e tentam adaptar as suas atividades para essa necessidade e outras deram início a produção das “eco-coisas”.


  A moda verde pegou até mesmo onde não há a possibilidade de uma atividade ambientalmente correta (refrigerantes, por exemplo), e o uso indevido do radical eco (derivado da palavra ecologia) leva muitos consumidores a caírem no conto do vigário da maquiagem verde. Maquiagem verde é o nome dado para campanhas ambientais de empresas que agem de forma incoerente com a imagem que tentam criar. É a divulgação da empresa dizendo fazer algo ou qualquer coisa relacionada ao meio ambiente. Na teoria, o marketing verde visa atender a necessidade dos consumidores ecologicamente conscientes e contribuir na criação de uma sociedade sustentável.

Como os produtos derivados de couro animal atendem essas expectativas? Na atividade da pecuária extensiva, desmata-se uma grande área para dar lugar ao pasto que alimentará o gado. Essas informações já são suficientes e acrescentam-se às formas de manejo dos solos: o compactação gerada pelo pisoteio do gado, por exemplo. No caso da pecuária intensiva, que não desmata, o consumidor não é informado sobre as formas de criação e de alimentação do gado, com hormônios de crescimento e antibióticos em abundância. Depois vem o curtume, onde o couro cru é processado do seguinte modo: salga (para o armazenamento de vários dias), retirada do sal (remolho), retirada os pelos com enxofre (depilação), adicionamento de cal hidratado para aumentar o volume (caleiro), retirada o cal (desencalagem); e só aí se inicia o processo de curtimento propriamente dito, com ácidos ou enzimas (purga) para retirar o que o cal remanescente; o couro recebe ácidos inorgânicos (como cromo, alumínio, etc.) para acertar seu ph (curtimento) e, tornar-se imputrescível. Não vamos levar em consideração como esses produtos químicos são descartados e nem a quantidade de água utilizada. “Couro certificado”, no Brasil, baseia-se na IG (Indicação Geográfica) e pode ser conceituado como “a identificação de um produto ou serviço como originário de um local, região ou país, quando determinada reputação, característica e/ou qualidade vinculadas essencialmente a esta sua origem particular. Em suma, nada ou quase nada relativo ao produto eco-qualquer-coisa. No Brasil (seguindo exigências européias) este é o único certificado concedido por um órgão governamental (no caso o Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI) e refere-se às atividades agrícolas. Para atividades não agrícolas o certificado foi concedido pela primeira vez à Associação das Indústrias de Curtumes do Rio Grande do Sul.

  Resumindo, não existe um certificado legal, consistente, coerente referente à produção “ecologicamente correta” de couro. Aos consumidores ditos ou que se acreditam eco-conscientes ficam as perguntas: Como a Nike (agora) recusa couro vindo da Amazônia? Nas outras regiões não existem florestas e a mesma regra não se aplica? Como realmente é fabricada a My Paper Bag da Tarun Paul e em qual momento da fabricação ela pode ser considerada “ecologicamente correta”? O quê significa “ecobag” de couro certificado? Na aquisição desses produtos, o consumidor, de fato, tem mais chances de acertar ou apenas de comprar gato por lebre.

Fonte: http://www.luizprado.com.br/2010/02/19/maquiagem-verde-produtos-de-couro-animal-x-meio-ambiente/

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